Fragmentos peneirados das memórias afetivas de três autores que residem em diferentes países, unidos originariamente pela massa do mesmo barro massapê
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
A Ceia dos Escaravelhos - por Wan Lucena
Asas de Bananeira - Por Lu Mota
Dizer tanto, dizer quase tudo em pouco tempo e espaço, viajar um enorme país e suas áridas dores, seus cortes, sua fome, suas misérias e dores...
Sobreviveremos a elas?
... ou nos restará apenas o voo cego, com asas de bananeira, rumo ao fundo do abismo?
Senhor poeta, bravo!
*Um comentário numa portagem de Facebook ao multi artista Celso Pires Araújo
https://www.facebook.com/100001596161626/posts/4848658141864010/
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Eu Venho da Luz - Por Wan Lucena
Eu
venho do outro lado, irmã
Eu venho da luz
Eu tive que descer até as trevas
Fazer o processo de volta é muito difícil
a gente não parece mais tão puro
mas a gente sabe de qual lado veio
Eu venho da luz, irmã
E vc voa comigo ao meu lado nessa viagem que, afinal
termina por ser um grande prazer do qual nunca saímos incólumes
Eu venho da luz, irmã
segunda-feira, 25 de outubro de 2021
Eu vejo Deus - Por Lu Mota
Nas tuas vírgulas e interrogações
Acaso duvidas quando interrogas?
Ou a interrogação é para sintetizar a exclamação?
Eu vejo Deus em todos os teus versos
Nos que dizes e nos que recitas aos anjos nas noites de breu ou nas noites claras como sol, só que sendo lua
E as estrelas... sabe as 5 pontinhas? Deus tá lá! De chapéu de palha! Pendurado na pontinha, quase caindo... E sabe pra quê? Pra cair no teu colo. Ou seria para te aparar antes de você se estatelar no chão?
Ah, pode ser os dois! Porque Deus é tudo isso. Deus é um, e dois, é mil. E se assim não fosse mermão, como daria conta dessa humanidade comédia que nós somos?
Deus é nós e nós somos deuses
É só mergulhar em mim que Deus ta lá, lindinho! E quando olho para Deus, dentro dos olhos do seu coração, me vejo lá, refletida e guardada, enrolada nos teus poemas, que são deus.
Para Urias Matos
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Horas Minhas - Por Lu Mota
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
A Tríade de Crianças na Olaria - Por DoraliceSegelke
Hamburgo 10.10.202
sábado, 9 de outubro de 2021
Histórias Escritas em Massapê - Por Wan Lucena
O barro gruda nas pernas e pesa no pisar alternado e incessante das canelas infantis. O massapê cortado do barranco, molhado no dia anterior com as aguas do Rio Corda. Incontáveis cangas aos ombros frágeis e impúberes a subir e a descer a ladeira. A serragem da madeira é o combustível que ajudará a queimar o tijolo quando na caieira.
Depois de muito suor derramado, os meninos, esgotados, se recolhem em suas humildes e dormirão com vaga-lumes a lhes voar no estômago vazio. Um arroz sem olho, apenas agua e sal e umas piabas assadas que eles mesmo pescaram no rio e lhes serviu por jantar. Piabas assadas são verdadeira iguaria, eu bem sei. Entratanto, quando por meses a fio a mesma coisa, sem sequer óleo para fritá-las, deixa de ser iguaria e passa a ser apenas um "matar a forme", um "encher o bucho".
Na olaria trabalham meninos ainda mais pobres. O pai é homem forte e de olhar vivo, humilde e esquivo. Queimado de sol mais parece uma estátua em madeira de lei. Músculos tesos em constante movimento. Verdadeira máquina humana que trás latente um coração desesperado pela sobrevivência própria e de sua prole.
O filhos, assim como eu e meu irmão, igualmente trabalham na mesma labuta. O mais incrível é aquela menina de sorriso fácil e olhos que mais parecem faíscas. Pobre, pobre de marré decí, guarda as vergonhas em calcinha de morim lameado de massapê e presa por um cordão na cintura já que elástico era luxo.
Em um carro último modelo, chega o comprador dos milheiros de tijolos. Traz sua filha de cachos feitos que mais parecem flores amarelas prontas para um beijo de mangangás. Ela desce com seus sapatos limpos e chama a menina de calcinha de morim amarrado por cordão à cintura para brincar.
- Mas brincar de quê no meio desse lamaçal que é essa olaria?
A menina rica faz perguntas e diz não entender porque ela tanto tem e aqueles meninos sequer podem brincar.
Os meninos oleiros ficam parados, atolados com o barro aos joelhos, a olhar a menina de vestido branco como neve, a entrar no seu carro enquanto lhes dá um adeusinho com um sorriso de que já a tudo esqueceu e se vai para o seu mundo tão melhor que o deles.
Mas a menina rica também tem a sua história. E sofre todo o preconceito das carolas desalmadas que não suportam seus maridos a olhar para aquela menina. De rica fica pobre. De pobre ficou rica. Caiu e se levantou tantas vezes que calejou. Ela está de pé e com bases muito bem amalgamadas a viver sonhos mundo à fora.
Os meninos saíram do atoleiro e se lançaram para a vida a remar barco sem rumo. Com uma fé tão grande e uma vontade desesperada remaram, e remaram, e remaram. Remaram tanto que chegaram à outra margem de um oceano.
Com as pernas eternamente lameadas de massapê, vivem as delicias do mundo. Expõem orgulhosos as marcas que trazem e usam o barro impregnado nas memórias para escrever belíssimas histórias.
Wan Lucena
Lisboa, 09/10/2021
O Outro Lado da Discriminação Social - Por Dora Segelke
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
A Arte é Livre - Por Lu Mota
A Tríade - Por Lu Mota
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